A Morte do Rei Persa Xerxes: Traição e o Fim de Ester e Mardoqueu

A história muitas vezes se lembra das grandes civilizações por seus monumentos colossais e impérios que pareciam eternos. No entanto, por trás das paredes de ouro e tapetes persas de Susã, o coração do maior império do mundo antigo pulsava ao ritmo de conspirações silenciosas, traições familiares e assassinatos brutais. Você provavelmente conhece a história bíblica da rainha que salvou seu povo, ou talvez se lembre do temido e excêntrico monarca que desafiou os espartanos nas Termópilas.

Mas como foi a morte de Xerxes na vida real? E que fim teve a Rainha Ester e Mardoqueu após as luzes dos banquetes se apagarem?

Para compreender o desfecho trágico que os livros didáticos raramente contam, precisamos cruzar as crônicas da Bíblia (onde Xerxes é chamado de rei Assuero) com os relatos detalhados dos historiadores gregos, como Ctesias e Diodoro Sículo. O que emerge desse cruzamento é um thriller político real, onde o poder absoluto cobrou o seu preço mais alto.

O Primeiro Golpe Abortado: A Conspiração dos Guardas da Porta

Para entender a vulnerabilidade do homem que se autoproclamava um deus na Terra, precisamos voltar no tempo, quando o palácio de Susã quase se tornou o túmulo de Xerxes (Assuero) muito antes do previsto. Esta é a primeira conspiração de Assuero, um evento divisor de águas relatado tanto nas escrituras quanto em registros da corte persa.

Dois eunucos reais, Bigtã e Teres, que guardavam a entrada dos aposentos privados do rei, alimentavam um rancor profundo contra o monarca. Os motivos exatos se perderam nas brumas do tempo — talvez privilégios retirados ou uma punição considerada injusta —, mas o plano deles era cirúrgico: assassinar o rei Xerxes enquanto ele dormia.

No entanto, o palácio era um labirinto de ouvidos atentos. Mardoqueu, o tio e mentor da rainha Ester, que costumava assentar-se à porta do rei para monitorar os negócios públicos, descobriu o complô através de sussurros nos corredores. Demonstrando uma lealdade estratégica, Mardoqueu informou imediatamente a Rainha Ester, que por sua vez alertou o rei em nome de seu tio.

O resultado foi rápido e implacável. Os conspiradores foram investigados, considerados culpados e enforcados em uma árvore (ou empalados, o método persa padrão de execução). O evento foi registrado nas Crônicas Reais da Pérsia. Xerxes sobreviveu àquela noite, mas o incidente plantou uma semente de paranoia no palácio. O rei percebeu que o perigo não vinha apenas das lanças gregas no campo de batalha, mas dos homens que lhe serviam o vinho.

A Segunda Conspiração: O Quarto do Rei Vira um Matadouro

O tempo passou, as feridas das guerras médicas contra a Grécia estagnaram o império e o temperamento de Xerxes tornou-se cada vez mais instável e tirânico. Quase duas décadas após escapar da primeira tentativa de assassinato, o rei já não contava com os mesmos aliados leais à sua porta. Foi então que se desenhou a segunda conspiração dos súditos de Xerxes, uma trama muito mais sofisticada e fatal.

No ano de 465 a.C., o homem mais poderoso do mundo foi traído por quem menos esperava: Artabano, o comandante da guarda imperial (os famosos Imortais) e um dos homens mais confiáveis da corte, aliado ao eunuco Mitrídates, o camareiro particular do rei.

Diferente de Bigtã e Teres, Artabano tinha ambições dinásticas reais. Ele queria colocar suas próprias mãos, ou as de seus filhos, no trono da Pérsia. Aproveitando-se de uma noite em que o rei estava vulnerável, possivelmente alcoolizado após um dos longos banquetes que tanto apreciava, Artabano e seus cúmplices entraram furtivamente nos aposentos reais.

Como foi a morte de Xerxes? O homem que outrora mandara chicotear o mar Helesponto por destruir suas pontes foi subjugado em sua própria cama. Xerxes foi esfaqueado até a morte no escuro de seu quarto, incapaz de reagir contra as lâminas de seus próprios guardas pessoais.

A traição não parou por aí. Para consolidar o poder e desviar as suspeitas, Artabano correu até o filho mais novo de Xerxes, Artaxerxes, e mentiu, dizendo que o irmão mais velho dele, Dario, havia assassinado o pai para roubar a coroa. O jovem Artaxerxes acreditou na mentira e, tomado pela fúria e pela dor, executou o próprio irmão, Dario. Só mais tarde a verdade veio à tona, e Artabano acabou sendo caçado e morto, mas o estrago estava feito: a era de Xerxes havia terminado em um banho de sangue familiar.

O Destino Final: Que Fim Teve a Rainha Ester e Mardoqueu?

Com a morte brutal de Xerxes e a ascensão de seu filho Artaxerxes I ao trono, uma dúvida paira no ar de quem estuda a história das civilizações antigas: que fim levou a Rainha Ester e o primeiro-ministro Mardoqueu?

A Bíblia encerra o Livro de Ester mostrando Mardoqueu no auge de seu poder político, sendo o segundo na liderança do império, respeitado por persas e judeus. Contudo, a história secular nos mostra o que acontece quando os reis mudam.

  • O Fim de Mardoqueu: Documentos cuneiformes persas da época mencionam um oficial de alto escalão chamado Marduka (Mardoqueu) atuando como administrador e conselheiro em Susã durante o início do reinado de Artaxerxes. Isso indica que, mesmo após a morte de Xerxes, ele conseguiu sobreviver às purgas políticas do palácio, mantendo sua influência e falecendo de causas naturais em idade avançada, consolidado como um herói para o seu povo.

  • O Fim de Ester: O destino de Ester é mais misterioso. A tradição histórica indica que, como rainha consorte e madrasta do novo rei (Artaxerxes era filho de outra esposa de Xerxes, Améstris), ela se retirou da vida pública ativa. Ester provavelmente viveu seus últimos dias protegida nos palácios de inverno de Hamadã (antiga Ecbátana) ou em Susa. Há, inclusive, uma tumba milenar reverenciada até hoje na cidade de Hamadã, no Irã, atribuída a Ester e Mardoqueu, servindo como um memorial silencioso da rainha que desafiou as leis persas pela sobrevivência de sua linhagem.

Quer Desvendar os Segredos Mais Ocultos da Grande Pérsia?

As intrigas, os assassinatos no palácio de Xerxes e as reviravoltas políticas em Susã são apenas a ponta do iceberg de um mundo antigo repleto de mistérios que os livros de história da escola nunca te contaram. Se você é fascinado por conspirações reais, táticas de poder e os bastidores das maiores dinastias da antiguidade, você precisa ir mais fundo.

No meu novo e-book, “Conspirações Secretas do Império Persa”, você conhecerá os bastidores das disputas pelo poder que marcaram um dos maiores impérios da Antiguidade. Descubra como intrigas políticas, assassinatos, sucessões conturbadas e golpes de Estado influenciaram o destino dos reis persas, com base em relatos de cronistas antigos e nas evidências históricas disponíveis.

Se você gosta de história, arqueologia e grandes civilizações, este livro reúne acontecimentos surpreendentes que mostram que o poder era conquistado e mantido por meio de alianças, conspirações e decisões que mudaram o curso da história.

👉 Clique aqui para adquirir seu exemplar na Amazon e comece a explorar os bastidores do Império Persa hoje mesmo.

Para saber mais

  • Livro de Ester, capítulos 2 e 6 (Bíblia Sagrada).

  • Diodoro Sículo, “Biblioteca Histórica”, Livro XI (Relatos sobre a Pérsia).

  • Ctesias, “Persica” (Fragmentos sobre o reinado de Xerxes).

Perguntas e Respostas

Como morreram o rei Xerxes e a rainha Ester?

Xerxes foi assassinado na cama por Artabano, o chefe de sua própria guarda real, em 465 a.C. Já Ester, segundo a tradição judaica, viveu até a velhice e morreu de causas naturais.

Ele continuou sendo uma figura muito respeitada na corte persa e viveu em paz até a velhice. Sua forte influência garantiu que o próximo rei (Artaxerxes) mantivesse uma postura amigável com o povo judeu.

A Bíblia não menciona nenhum filho entre eles. No entanto, o sucessor de Xerxes no trono foi Artaxerxes I, que era filho de Xerxes com outra esposa, chamada Améstris.Contudo, na tradição judaica (Talmude), há debates sobre o assunto: uma vertente sugere que ela não teve filhos ou evitou a gravidez, enquanto outras tradições apontam que ela poderia ser mãe de Dario II.

Quem governou a Pérsia depois de Xerxes foi o seu filho mais novo, Artaxerxes I. Ele assumiu o trono em 465 a.C. e governou por 41 anos.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Rolar para cima